segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Adolescentes ganham dinheiro com vídeos sobre games em Londrina

Tudo começou com uma brincadeira, mas, depois, virou negócio sério, com um bom “salário” por mês
 
Pedro Afonso de Rezende Posso, 17 anos, não tem conta bancária, mas ganha dinheiro brincando. O “salário”, fruto do canal Rezende Evil no YouTube (www.youtube.com/user/rezendeevil), é depositado na conta da mãe dele. Além de postar vídeos próprios, ele disponibiliza para download clipes de música, uma seleção dos links mais acessados do YouTube e vídeos de esportes, jogos e filmes.
Tudo começou há dois anos, quando o londrinense começou a fazer vídeos para ensinar os fãs de games a jogar. Inicialmente, as postagens eram pura diversão. “Não sabia que poderia ganhar dinheiro com a internet”, conta. A vida dele, porém, deu uma guinada depois de passar uma temporada na Itália, para jogar futsal. Naquela época, o canal tinha 1 milhão de visualizações por mês e, hoje, ultrapassou a marca de 32,3 milhões.
Apesar de, naquela época, ganhar mais dinheiro nas quadras, Pedro começou a se tornar mais conhecido pelas atuações no YouTube. A mãe de Pedro, a professora Joelma Ribeiro de Rezende Posso, relata que, na ocasião da viagem, adolescentes chegaram a esperá-lo no Aeroporto Internacional de Guarulhos, para conhecê-lo pessoalmente, pedir autógrafos e tirar fotos.
Na Itália, Pedro tentou conciliar a carreira de goleiro com a de “YouTuber”. “Era difícil. Passava a madrugada acordado para fazer os vídeos, editar e postar. E meus treinos começavam às 10 horas. Além disso, a qualidade da internet não era muito boa”, lembra. Depois de voltar ao Brasil e se inscrever no recrutamento da Paramaker, a primeira network nacional especializada em canais de entretenimento do YouTube, o negócio se consolidou.
A empresa incentiva os produtores de séries independentes e é detentora dos canais mais assistidos no Brasil. Um deles é o de Pedro, que possui 1.249.854 milhoes inscritos e ocupa a 3ª posição no ranking nacional e a 5ª na mundial no segmento de games.
É a parceria que garante a viabilidade financeira do negócio. Pedro ganha 70% do valor referente aos anúncios que antecedem os vídeos, enquanto com a Paramaker fica com 30%. O jovem recebe os valores em dólares a cada mil visualizações. “No final do ano, quando tem mais propaganda, chegamos a ganhar US$ 10 a cada mil visualizações.” O vídeo mais popular dele passou das 560 mil visualizações. É só fazer as contas.
Jovens adiam graduação para ser ‘YouTubers’
Pedro de Rezende Posso não é o único talento precoce de Londrina. Gabriel Wolff, de 18 anos, também faz parte da Paramaker e o canal dele no YouTube (www.youtube.com/user/GamersUnbelievable/videos) faz sucesso entre os admiradores de games, principalmente da série “Mine Craft”.
Pedro e Gabriel pararam de estudar para se dedicar à profissão de “YouTuber”, que, apesar de divertida, necessita de dedicação. “É preciso pesquisar para encontrar novidades e ganhar novas inscrições”, fala Pedro. Gabriel dedica até 18 horas do dia para produzir e postar os vídeos.
Os adolescentes admitem que, no início, enfrentaram a resistência dos pais, principalmente pelo fato de adiarem a busca pelo diploma universitário. Gabriel estava no 3º colegial quando entrou no universo dos games, o que dificultou a aprovação no vestibular. Ele chegou a iniciar o curso superior em Engenharia da Computação, mas trancou porque não conseguiu conciliar o “hobby” com os estudos.
“Hoje tenho o apoio da minha mãe, que acredita que estou tendo uma ‘chance de ouro’. Mas sei que isso não vai durar para sempre e, quando acabar, vou voltar para a faculdade e cursar algo na área da computação”, salienta.
Já na família de Pedro, o prazo para retomar os estudos foi estipulado pelos pais e se encerra no próximo ano. Joelma Ribeiro de Rezende Posso explica que ela e o marido conversam com o filho sobre a importância de investir na formação profissional, inclusive para aprimorar o trabalho que faz hoje, se continuar nesse ramo. (GC)

Apoio da família é fundamental, diz psicólogo

Para o psicólogo especialista em infância e adolescência Fernando Barroso Zanluchi, a conclusão da faculdade é o último ritual de passagem para a vida adulta. Pedro de Rezende Posso e Gabriel Wolff “pularam” esta etapa, porque já possuem uma profissão e uma renda. Contudo, falta a eles a experiência de vida para administrar a fama repentina, daí a importância da presença dos pais e do diálogo com a família.

Na avaliação de Zanluchi, os pais dos adolescentes agem corretamente. “Na adolescência, os pais não podem mais mandar nos filhos. É nessa fase da vida que eles desenvolvem a própria personalidade e fazem escolhas. Os pais devem aconselhá-los e dar opiniões, mas devem deixá-los decidir. Os erros fazem parte do treino para a vida adulta. É importante deixar claro também que, no futuro, são os filhos que vão pagar a fatura das decisões erradas, mas que toda família, os pais e os irmãos, serão atingidos pelas escolhas tomadas por eles”, explica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário